EM 19 DE MAIO DE 1994 DIZIA - O PASSEIO


Desde sempre as populações criaram os seus locais de convívio onde os seus membros ocupavam os momentos de lazer. Quer os adros das igrejas, quer os jardins públicos, quando existentes, constituíram ao longo de muito tempo, dos locais de maior importância para uma vivência mais estreita entre os povos.

Modernamente, com o incremento turístico que se tem verificado, os autarcas que se preocupam com o bem estar de quem visita as suas regiões, ou com o interesse de fomentar o desenvolvimento dos negócios instalados e ainda com a qualidade de vida, têm criado zonas de passeio público, as denominadas ruas sem trânsito, onde as pessoas circulam longe dos perigos, dos ruídos e da poluição do trânsito urbano.

Assistimos ao longo dos últimos anos ao aparecimento destes espaços em todas as localidades que pretendem afirmar-se como dignas do interesse dos ambicionados visitantes. A nossa terra permanece alheia ao fenómeno, talvez por incúria de quem deveria ter a iniciativa, talvez por medo de fantasmas que ainda nem sequer apareceram ou, quem sabe, com falta de coragem de enfrentar as críticas e oposições, que todos sabemos que aparecerão mas que não podem ser impeditivas do nosso progresso.

Porque é urgente que se mexa no assunto e defendendo o princípio da crítica colaborante, aqui fica o meu contributo, que espero possa ter algum aproveitamento ou, pelo menos, sirva de base ao aparecimento do mais que justificado espaço.

Procurando transmitir a ideia de forma escrita como vou fazer, é necessário que o leitor conheça os locais a que aludirei e para tal usarei os nomes pelos quais são vulgarmente conhecidos.

Vamos, portanto, imaginar que a placa existente na Praça Jacob Rodrigues Pereira (frente ao jardim) se ligava ao largo do hospital velho, o lancil que a limita acompanhava a curvatura da rua e, portanto, deixava de haver trânsito no citado largo. Ao espaço constituído pela actual Praça Jacob Rodrigues Pereira, pelo largo do hospital velho, pelo largo do BPA e por parte de Rua José Estêvão até à residencial Vasco da Gama (casa do Possidónio), juntar-se-ia a Rua Tenente Valadim (junto à Câmara). No local onde termina a Rua Tenente Valadim (junto à Câmara) o passeio estreita e constitui um estrangulador do movimento que desemboca rumo à Ribeira, seria alargado de modo a acompanhar a largura da rua, sacrificando-se o local de estacionamento privativo das viaturas da Câmara e não só. Quem está neste local verifica que, em posição frontal, se encontra o passeio que conduz à Ribeira, local que constitui o grande atractivo de quem passeia ao longo da artéria que poderá ser a varanda de Peniche, a Avenida do Mar, apenas se terá que alargar o passeio para o dobro, porque o tímido alargamento que recentemente lhe foi feito, logo foi neutralizado com os bonitos candeeiros com que a dotaram. Fica, portanto, a ideia de que quem circulasse em toda a área que se preconiza sem trânsito poderia continuar o seu passeio até à área da Ribeira e Porto de Recreio por um espaço suficientemente alargado não tendo, portanto, como hoje acontece, de estar a descer à faixa de rodagem, quando se cruzam dois grupos de passeantes.

E o trânsito, como é que vai ser? E o estacionamento como será? Certamente que a boa vontade e o engenho trarão a solução necessária. No que respeita ao trânsito, aquele que se fazia no sentido ascendente da Rua José Estêvão pelos largos do hospital velho e BPA, passaria para a Rua 13 de Infantaria, Largo do Município, Rua dos Mareantes e Rua José Estêvão, o que desce a Rua Marquês de Pombal seria conduzido por um corredor que, com a devida sinalização de trânsito condicionado, passaria ao longo da placa da Praça Jacob Rodrigues Pereira e seguiria para a Rua dos Remédios, podendo e devendo alargar-se o passeio fronteiro aos estabelecimentos comerciais da praça.

No que toca ao estacionamento, que se pretende esteja ao alcance fácil de quem utilize a área, fica para ser tratado em próxima oportunidade conjuntamente com outra sugestão.

E por hoje é tudo ficando a promessa de voltar em breve.

UM COMENTÁRIO DE HOJE DIA 04/12/2007.

Continuamos sem um espaço reservado aos peões, ou pior, a tímida tentativa feita para o largo do hospital teve o fim que se vê. A anarquia que ali se verifica piorou a situação relativamente à anterior. O sinal de trânsito colocado à entrada do largo é desrespeitado constantemente, muitas vezes nas barbas da polícia. Já que não há um rei que ponha cobro a isto, que venha, ao menos, um roque que ponha mão nisto.

Quanto ao passeio da Avenida do Mar do lado onde as pessoas passeiam, continua na mesma e, curiosamente, a Câmara de então resolveu alargar o do lado contrário, Boa aposta!!!!

Será que os nossos autarcas ainda não visitaram os milhares de cidades e vilas com arruamentos sem trânsito. Um dia será e até lá viva o regabofe.

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