ASSEMBLEIA - DEFENDA O INTERESSE DE PENICHE !

Exmº. Senhor
Presidente da Assembleia Municipal
do Concelho de Peniche

Apresento-lhe os meus cumprimentos e peço desculpa de lhe ocupar um pouco do seu tempo ao trazer-lhe conhecimento directo do que penso, relativamente ao que se passou na Assembleia de 27 de Setembro último, informando que, como única forma de tornar público o que penso, irei solicitar publicação deste conteúdo.

Aproveito para lhe referir que as actas da Assembleia estão com quatro meses de atraso na sua publicação no sítio da Câmara, o que dificulta o acompanhamento dos munícipes interessados na vida da sua cidade, para além de que, quando procurei obtê-la nos serviços voltei a sentir dificuldade.

Entrando então no assunto que me move venho comentar a intervenção da senhora D. Maria Alina, que não conheço, tal como desconheço se é filha de Peniche, sei que veste a camisola do Partido Comunista como eu vesti, na mesma situação, a camisola do Partido Social Democrata, também não sei se a snrª. está integrada nalgum movimento cívico como a URAP ou NÃO APAGUEM A MEMÓRIA (sectária) eu pertenço ao movimento anónimo AVIVEM A MEMÓRIA (abrangente).

Qual é, portanto, a razão do meu comentário.

A senhora está preocupada com o facto de estar lançada a hipótese da construção de uma pousada na nossa Fortaleza. Estranha forma de se defender o interesse de Peniche e dos seus munícipes, como penso que seria o dever de quem milita nas hostes da Assembleia a que preside. O que está subjacente é outra coisa, qual seja a intenção teimosa de ocupar a Fortaleza com o pretendido Museu Nacional da Resistência, tal como pretendem o Aljube, Caxias, sede da Pide em Coimbra, Sede da Pide no Porto, não satisfazendo o Espaço Grandella na Estrada de Benfica e o Espaço Cidade Universitária, equipados com auditórios, bibliotecas, ciber café, material para exposições, etc. etc., tudo, certamente, com base no esforço financeiro dos seus elementos.

Como todos sabemos, e melhor que todos o Snr. Presidente, o que foi a intervenção, não solicitada ou aceite pela população de Peniche, no processo de repressão feita pelo Estado Novo, está devidamente expressa no núcleo que lhe é atribuído no Museu de Peniche, logo nada está e ser ocultado. O que não está sequer tratado, nem mesmo levemente, é uma outra página, também vergonhosa, da história do país, para a qual também não nos foi pedida aceitação prévia. Trata-se como conhece, talvez não tão bem como eu, do alojamento em condições infra humanas em que, nas mesmas celas dos presos antifascistas, foram colocados os retornados do ultramar, constituídos por crianças, mulheres, velhos e doentes, em número de algumas centenas e que, se não fora a acção da Cruz Vermelha Portuguesa, bem podiam esperar pela acção “esclarecida” de quem pontificava politicamente.

Espero, Snr. Presidente, que a Assembleia a que preside não se demita da função principal que lhe compete, a defesa intransigente dos interesses de Peniche, ainda que, por vezes, os interesses ideológicos e partidários tenham que ser relegados para segundo plano. Só assim podem voltar a obter a credibilidade de todos nós.

Outubro de 2008
João Avelar

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