QUANDO UMA DESGRAÇA NOS ALERTA


O que se está a passar com a onda de fogos no país deve alertar-nos para situações que, em nossa casa, estão latentes, mas podem acontecer, esperando apenas a oportunidade de se conjugarem as circunstâncias que levem a que a desgraça, também, nos bata à porta.

A configuração geológica da nossa terra, como península, fruto do fenómeno que levou à sua formação, apresenta um elevado índice de vulnerabilidade, motivado pelo estado da preservação do nosso tômbolo, que tem sido vítima de toda a espécie de atropelos, ao não cuidarmos da preservação do cordão dunar a norte e com a abertura de novas docas a sul.

Para além disto, continuamos a instalar na parte mais vulnerável tudo o que, em termos de socorro à população e dos meios operacionais que dispomos, quartel dos bombeiros e armazéns da Câmara.

Como já tem sido referido, ao longo de muitos anos, o nosso molhe oeste não oferece as condições de segurança que todos pensamos, veja-se que já esteve pensada a construção de uma lomba de rebentação para compensação da sua patente vulnerabilidade, acabando, economicamente e em jeito de tapa olhos, por lhe ser efectuada uma recarga de tetrápodes.

E se as tais circunstâncias se conjugarem? Como estamos bem em cima de uma falha geológica, lembram-se dos argumentos impeditivos que foram usados quando pretenderam instalar-nos uma central nuclear em Ferrel, o que poderá acontecer se, fruto de um abalo sísmico se gerar um tsunami nesta zona? Naturalmente que a primeira zona a ser arrasada será a prageira e, com ela, o quartel dos bombeiros, os armazéns da Câmara e todo o restante equipamento da área. Resta-nos, felizmente, o nosso bem equipado hospital.

Uma lição que, espero, seja retirada da catástrofe dos fogos é que NÃO É EM TEMPO DE GUERRA QUE SE LIMPAM AS ARMAS.

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