Dizia em 03 de Março de 1994 - A MARINA DE TODAS AS CORES




Nesta nossa terra tudo perece processar-se à força da evidência, perante a beleza e as condições naturais com que a mãe natureza a dotou. Está nesta linha o desenvolvimento piscatório, que atingiu expressão muito razoável enquanto os recursos locais foram abundantes e as condições naturais de exploração do nosso porto permitiram resultados fáceis. Agora que a continuidade desse progresso exige o esforço e a aplicação de todos os interessados, vimo-nos com um mar de lamurias, recriminações e apelos para que os problemas que nos afligem caiam resolvidos do céu.

Nesta mesma linha podemos enquadrar o que se vai passando com o turismo, que está enveredando pelos mesmos princípios, perfeitamente ao sabor do que naturalmente aparece e enveredando-se por caminhos, provavelmente errados, cujos efeitos só mais tarde saltarão à vista, quando se reconhecer já ser tarde.

O que acaba de ser referido poderá, em situação mais específica, ser aplicado ao desejado aparecimento de uma marina oceânica no nosso concelho, desejo que ainda não passou disso e para cuja concretização não foi organizado o necessário debate de ideias.

Acabamos de sair de uma campanha eleitoral em cuja propaganda todas as forças políticas arvoraram a bandeira da marina oceânica, motivo porque me ocorreu titular este artigo de MARINA DE TODAS AS CORES, porém, é meu pressentimento que a desejada marina poderá não passar do efeito bandeira. Não andarei muito longe da verdade se afirmar que muitos dos que a agitaram nem sequer alguma vez ousaram pensar no assunto e as ideias para concretizar as suas afirmações serão muito poucas.

Mas porque é desejável que o assunto seja agitado no melhor sentido e para que não se corra o risco de ser aceite como ponto de partida um projecto que foi em tempos apresentado, transportando para a nossa terra uma ideia pré-fabricada para aplicação no local onde lhe for dada a primeira guarida, venho ter a ousadia de afirmar que não se me afigura ser o local de implantação, então pretendido, aquele que melhor servirá os interesses locais. Na verdade não se compreende com facilidade que, num concelho de área tão reduzida como é o nosso, em que as possibilidades de construção para utilidade turística convém, no mínimo, preservar, se esteja a pensar fazer com que o mar penetre mais pela terra dentro, inviabilizando a continuidade de utilização e melhor aproveitamento das potencialidades da praia do molhe leste e seus terrenos anexos, quando em todo o lado, sempre que possível, a tendência será conquistar espaço ao oceano.

Tendo como ponto de partida o princípio que antes referi e porque entendo que uma infraestrutura deste tipo deverá ser integrada, o mais possível, na parte urbana da nossa cidade, para que não se criem guetos para previligiados, cuja ligação à nossa urbe não desejarão, e antes se enriqueça e complemente o que de belo possuímos e que até agora desaproveitamos de forma infame, sugiro que se olhe atentamente para o Porto da Areia Sul, que se imagine aquele fosso, agora imundo, convertido numa estrutura de aproveitamento turístico, usufruindo da instalação de uma marina conquistada ao oceano, com enrocamentos de protecção que saíssem da ponta do porto da areia e do ponto de encontro da fortaleza com o molhe oeste.

Com esta situação seria possível dar beleza ao local, integrar a fortaleza, a prainha de S. Pedro, os cortiçais e até abrir-se caminho para a reconversão do bairro do Alto da Vela.

Logo que a fortaleza fosse o jardim que todos gostaríamos, certamente, que se concretizasse, muito beneficiaria com a visão daquele plano de água ocupado pela marina que nele deveria existir e teria mais um motivo para lhe garantir a ocupação desejada. É esta a minha contribuição empenhada para solução deste desejo, necessariamente a precisar de boas críticas que a complementem, espera-se que outras apareçam com o mesmo sentido e que a todas seja dada a oportunidade de, pelo menos, ser apreciada, não ficando o assunto confinado á opinião técnica e às vezes interesseira de quem pouco tem a ver com os nossos interesses.

UMA NOTA DE HOJE - 21 de Novembro de 2007.

Passaram 13 anos desde então, a marina desejada continua reduzida a um incipiente porto de recreio que não dá satiafação ao movimento de embarcações de passagem na zona e não convida
a que muitos outras por cá passem. O nosso porto está localizado a meio da costa portuguesa e em local estratégico para ser preferido pela grande maioria, precisamos de alguma ousadia.

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