ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DA BERLENGA E A DITA


No conturbado período revolucionário um grupo de cidadãos preocupou-se com a evolução futura da Berlenga, dada a indefinição do seu estatuto e, também, do destino que iria ter o Forte de São João Baptista, que continha os despojos da antiga pousada e estava, permanentemente, a ser vítima de actos de vandalismo.

Constituíram-se sob a forma de associação com o propósito de exercerem um acto de cidadania, unidos pelo ideal comum de ajudarem as entidades locais na solução de problemas diversos existentes e oferecendo o seu esforço pessoal para o que fosse necessário.

Acto de cidadania, um mote que se ouve muitas vezes na boca eleitoralista de alguns políticos e que, no caso da Associação dos Amigos da Berlenga, não foi aceite e, diria até, foi repudiado.

Como em tudo há sempre algumas honrosas excepções e por isso há que as salvaguardar, até porque a Associação foi bem recebida no seu arranque e pertenceu ao Conselho da Reserva por imposição da edilidade, porém, outros foram criando obstáculos e desprezando a desinteressada colaboração.

Tratou-se, julgo eu, de receio de que alguém partilhasse os louros das realizações que se efectuassem, ou de disputa do poder de que, quer políticos, quer técnicos, sempre reclamam, avidamente, para si.

Não há outra forma de classificar o sucedido, até porque o grupo, constituído, inicialmente,   por 21 elementos foi bastante alargado e era, em matéria de conotações políticas, totalmente abrangente.

Mas a Associação dos Amigos da Berlenga lá vai sobrevivendo, embora limitada na sua acção, à espera de um dia poder alargar os seus horizontes em prol da Berlenga, sua razão de existir.

É pena que actos de cidadania, como este, não sejam verdadeiramente acarinhados.

Abril de 2015.
João Avelar
(Escrito fora do actual acordo ortográfico)

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