EM 01 DE FEVEREIRO DE 1996, DIZIA " QUE DES'CONSOLAÇÃO "



Já foi afirmado a vários níveis e por pessoas de toda a condição social, que o turismo pode ser uma fonte complementar do rendimento que assegura a subsistência e o bem estar da população do nosso concelho. Também é reconhecido por toda a gente que não bastam as belezas naturais que possuímos para garantir a vinda e, muito mais importante que isso, a estadia, tão prolongada quanto possível, de turistas entre nós.
Na base destas certezas é do melhor bom senso que se procure estabelecer as melhores condições, a vários níveis, para que tanto os residentes como os que nos visitam se sintam bem.
Para além de muitos outros aspectos que devem ser ponderados pesarão, em grande percentagem, os de índole urbanística e da qualidade de vida. Porque assim é, torna-se evidente que a implantação da malha urbana tem que respeitar regras de interesse geral e de defesa do ambiente que a cerca, para além de preservar as belezas naturais que existem como um bem de todos.
Se o que fica dito é verdadeiro quando nos reportamos a qualquer local do nosso concelho, muito mais se aplicará nos locais onde a natureza nos dotou de condições excepcionais, a que nos compete, por isso, corresponder com a atitude responsável de usar preservando.
Se quisermos constatar a forma como é fácil contrariar tudo o que atrás se disse e encontrar o exemplo mais evidente disso mesmo, basta que nos disponhamos a perder um pouco do nosso tempo e apreciemos o que se passa com a urbanização de toda a Consolação, um dos tais locais de excepção com que a natureza nos dotou e a que a nossa falta de sensibilidade e visão do futuro, permitiram que chegasse ao estado em que se encontra.
A construção avançou de tal maneira sobre a praia que a mesma já está sem espaço e o mar começa a dar mostras de poder vir a pôr en risco as estruturas que lhe estão mais próximas. A concentração de construção é de tal ordem que o local mais parece um daqueles bairros habitacionais que circundam as grandes urbes e a que chamamos dormitórios. Na verdade a disputa de cada metro quadrado que sirva para realizar mais uns cobres, parece ser a palavra de ordem. O problema pouco interessará, certamente, a quem tem em vista apenas construir para que, com isso, possa acrescentar mais algum ao seu património pessoal, porém, não se compreende tão bem é que os responsáveis pela manutenção do que é um bem de todos nós, permitam que se chegue ao escândalo que representa o que ali está feito.
Meus senhores, este pedaço da minha terra poderia ser um local agradável, onde as pessoas que aqui vêm passar o verão se sentissem bem, com espaços ajardinados onde pudessem ocupar os seus tempos livres, em que a praia, que afinal é o atrativo principal de quem ali se desloca, tivesse sido preservada e garantida a sua existência futura, onde o esgoto de toda aquela concentração urbana não constutuisse, num futuro próximo, mais um grave problema para resolver.
Enfim, algumas das pessoas que aqui investiram com a ambição de possuirem um bem num local aprazível e devidamente ordenado, como suas legítimas expectativas, poderão começar a sentir-se defraudados e, como consequência lógica, resolverão a sua situação pessoal, procurando noutras paragens o que aqui não foi conseguido, facto que muito teremos que lamentar.
Mas, o que aconteceu entretanto a mais um dos locais de eleição com que a natureza nos dotou? Ficará, certamente, como mais um exemplo negativo do que a ambição de uns tantos e o pouco esclarecimento de outros não souberam respeitar, e que a geração que nos segue virá a julgar, sofrendo, no entretanto, as respectivas consequências.
Perdoem-me as pessoas que, mais uma vez, se derem ao trabalho de ler mais este inconsequente desabafo, perdoem-me aqueles que se sintam atingidos, de entre eles alguns amigos, com o que fica dito, não há a intenção de atingir ninguém em especial, o que há é a revolta natural de quem ama a sua terra e a vê tão mal servida e maltratada.
EM 12 DE FEVEREIRO DE 2008. -
Parante o que vejo naquele local não me ocorre mais para dizer, senão, que "a revolta natural" continua.

EM 21 DE DEZEMBRO DE 1995, DIZIA "A PRENDA QUE DEVEMOS À NOSSA CIDADE"



É época de Natal, é altura de boa vontade e abertura de espírito para formular desejos de felicidades e contribuir um pouco para o bem estar dos outros.

É por isso, também, uma boa altura de servirmos a causa comum e reflectirmos, cada um de nós, acerca do que terá sido a nosso contribuição para o desenvolvimento harmonioso da nossa cidade, aquela onde queremos viver e desejaríamos, se possível, vivessem os nossos filhos.

Permitam-me todos os que tiveram a paciência de perder um pouco do seu tempo a ler este despretensioso escrito, que lhes fale um pouco ao ouvido e os convide a reflectir naquilo que todos e cada um de nós poderíamos fazer, como contribuição para que a nossa cidade se apresente acolhedora e interessante para todos os que nos procuram e para nós próprios, aqueles que temos o dever de fazer dela a nossa casa comum.

Temos sempre a tendência para considerar que tudo o que há a fazer é obrigação dos outros. O governo, a câmara, as juntas de freguesia têm as suas obrigações específicas cabendo-lhes a obrigação de tomar decisões, certas muitas vezes mas, também, outras tantas erradas, cabe-nos a todos nós estar vigilantes e interessados em tudo aquilo que possa determinar o bom caminho, no sentido do desenvolvimento global da nossa cidade. Por isso a nossa participação, o nosso empenho, a nossa exigência e o nosso exemplo, devem estar sempre presentes em tudo o que lhe diga respeito.

Os nossos políticos, os nossos comerciantes, os nossos industriais, os nossos pescadores, os nossos emigrantes, todo o funcionalismo e profissionais liberais que aqui trabalham e os penicheiros em geral, têm obrigação de, ainda que, por vezes, abdicando de algo que seria o seu interesse imediato, contribuir para o desenvolvimento global que se pretende e colocar no sapatinho da cidade a prenda que maior satisfação lhe pode dar:

O PROPÓSITO DE TUDO FAZER PARA QUE O SEU FUTURO SEJA BEM MAIS PROMISSOR

Em 01 de Fevereiro de 2008 -

Convido cada um de nós, políticos ou não, a reflectir no que contribuimos para a desejada melhoria das condiçõs de vida na nossa cidade. Será que teremos o justo direito de dormir descansados?

O escrito acima, como se compreenderá, foi a minha resposta a uma pergunta que A Voz do Mar dirigiu a alguns dos seus, então, colaboradores.

PRAZER SILENCIOSO!

O anoitecer da nossa ilha são momentos de prazer silencioso!

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