EM 03 DE NOVEMBRO DE 1994, DIZIA "BERLENGA A MAL AMADA"




A ousadia que me permita abordar um tema tão problemático e polémico como é o de emitir algumas opiniões acerca desta nossa joia turística, encontra alguma justificação no muito amor que lhe tenho, naquilo que já contribuí para a sua defesa e no desejo de continuar a ser-lhe útil, que é o mesmo que ser útil à nossa cidade.
Não haverá ninguém minimamente atento ao que é o interesse turístico local, que não inscreva a Berlenga como o principal pólo de atacção dos que nos visitam.
Justifica-se, portanto, um cuidado especial no tratamento de tudo o que ali se instale, se pretendermos manter o interesse e a melhor dignidade daquele local.
A sua pequena área global e o reduzido espaço reservado à prática de actividades turísticas, vêm aguçar a necessidade do constante acompanhamento de tudo o que ali se passa. Isto se não quizermos correr o risco de observar que, afinal quem põe e dispõe de uma peça tão importante para nós penicheiros e para o interesse da nossa cidade, são os estranhos ao nosso burgo, quantas vezes desfazados da realidade histórica que aquela ilha sempre representou para os penicheiros e, quase sempre, pouco motivados para encarar a solução dos problemas pela óptica do interesse local.
O que acabo de referir não tem qualquer intenção de atingir o conjunto de entidades que, por razões de ordem legal, terão o direito de intervir a vários níveis. O que quero referir e acentuar com muita persistência é o respeito que todas elas devem à população de Peniche e salientar que as entidades locais não se podem demitir das suas responsabilidades, deixando-se ultrapassar.
Por isso considero preocupante a continuada atitude de deixar andar as coisas perfeitamente ao sabor dos acontecimentos, facto revelador de que não existe qualquer plano a cumprir, esperando-se que o encanto natural daquelas paragens vá chegando para contentar quem ali demanda.
Comecemos por analizar o local que se destinou à prática do campismo. Para além de uma primeira preparação do terreno em forma de sucalcos, hoje já em fase de destruição, nada mais foi feito no sentido de proporcionar aos utentes as condições necessárias. A velha escadaria de acesso à praia está em vias de desaparecer e o seu uso está a tornar-se perigoso. Urge, por isso, proceder à sua recuperação, não só porque é útil aos utentes do pseudo-parque, como constitui
uma velha edificação do tempo do mosteiro. O acesso até ao caminho do farol não oferece condições de segurança, especialmente quando da utilização noturna dada a falta de iluminação da zona até à curva do farol, através de pontos de luz instalados de forma dissimulada no murete que ladeia o caminho, como chegou a estar projectado. Os locais de recolha de lixo são manifestamente insuficientes, do que resulta a existência dos excessos fora dos mesmos e acessíveis ao assalto pelos ratos e gaivotas que por ali proliferam. A casa que lhe está próxima, a denominada casa da palha, deveria constituir um ponto de apoio aos utentes, quer como local de reunião, quer como abrigo de emergência e local de controlo do parque. A água que existe nas antigas cisternas do farol, que ao que parece não está a ser totalmente consumida, bem poderia ser utilizada como apoio às necessidades dos utentes do parque, atente-se que os custos de estadia, muito mais elevados que qualquer parque de campismo, bem justificam um pouco mais de atenção.
A casa Abrigo S. João Baptista já cumpriu a acção que a Associação dos Amigos da Berlenga, em boa hora e mercê do esforço a carolice de uns tantos, lhe pôs como meta, qual seja o esperar a oportunidade de lhe ser dado destino digno e consentâneo com os interesses de todos os que têm direito de a usar, nomeadamente e com especial incidência da população de Peniche. Temos ultimamente assistido à ideia, a meu ver utópica, de fazer renascer alí a pousada de luxo, que já foi, e que, nos tempos que correm, não me parece que venha a ser possível concretizar, dado que qualquer mediano estudo económico da exploração possível, fará cair qualquer pretensão nesse sentido. Mas, porque ali existe o monumento que é a Fortaleza de S. João Baptista em si, necessário se torna, até como via da sua manutenção, que se estude a forma de o manter habitado e útil, se possível durante todo o ano. Como é meu hábito vou aqui, também, ter o atrevimento de adiantar algo, que não sendo a primeira vez que o faço como alguém se recordará, é pelo menos a primeira ocasião para o fazer de forma pública. Porque não acredito na possibilidade de se fazer renascer a tal pousada de luxo, mas considerando que é imperioso dar ao monumento a melhor utilidade possível, propunha que aquelas instalações fossem devidamente beneficiadas com as obras que lhe restituissem o mínimo de dignidade e que a sua utilização pudesse ser partilhada por três finalidades específicas. Uma seria continuar a alojar utentes em regime de exploração hoteleira; outra, servir as missões de estudo que ali se deslocam em determinada época do ano; por fim, uma outra que seria a de ali se instalar uma mostra permanente, quer da história da ilha, quer dos objectivos da reserva ali instalada, como da fauna e flora locais, constituindo assim uma atracção bem importante para ocupação dos momentos que os visitantes ali passam. E como conjugar estes interesses? No meu entender, passaria pelo estabelecimento de um protocolo a concretizar ente a Câmara Municipal, a Associação dos Amigos da Berlenga e a Reserva Natural da Berlenga, de modo a que a exploração hoteleira fosse entregue a um concessionário, sob a supervisão daquelas entidades. Caberia depois tanto à AAB como à RNB coordenarem entre si as várias tarefas que, relativamente à Berlenga, é desejável que se desenvolvam, assumindo ambas que não são os plenos detentores da razão.
À Reserva Natural da Berlenga, cuja acção tem sido contestada e até incompreendida por alguns, quero deixar o meu testemunho de apreço pela acção globalmente desenvolvida, considerando-se que foi benéfica a sua intervenção nalgumas das metas que se propôs atingir. Atrever-me-ia a solicitar da sua parte um pouco mais de atenção para os interesses do turismo da minha terra.
Ao "Cabo Avelar Pessoa" à empresa sua proprietária e, em especial, ao seu jovem gerente de 90 anos, o nosso amigo Mário Miguel de Sousa, muito deve Peniche e a Berlenga em especial. Na verdade, eles têm sido o suporte daquilo que, em termos de turismo e satisfacção do interesse público, se tem realizado na ilha.Talvez, por isso, se justificasse a criação de melhores condições de atracagem e segurança, aumentando o cais de acostagem nalguns metros.
À Associação dos Amigos da Berlenga é justo reconhecer o esforço e dedicação que, na pessoa daqueles que a orientaram ao longo destes quase vinte anos, têm demonstrado pela causa comum, de forma anónima e muitas vezes incompreendida. Salientaria, porém, que a sua acção não pode nem deve esgotar-se no trabalho de manter a Casa Abrigo a funcionar, como atrás preconizo. Ela deve dirigir a sua acção de uma forma mais global a tudo o que represente o interesse da Berlenga e de Peniche.
Finalmente, aos pescadores e operadores turísticos residentes na ilha, aqueles a quem a boa ordem e desenvolvimento mais interessa, solicitaria o melhor da sua colaboração e boa vontade no sentido de tornar agradável a visita dos que acreditam que vale a pena vir até nós.
EM 29 DE DEZEMBRO DE 2007, ACRESCENTARIA :
Continuamos a ter que estar atentos, agora que se prepara o regulamento de utilização da nossa ilha, na defesa dos nossos interesses, que são os da nossa terra, e procurando que os nossos representantes, nas várias autarquias, também o façam. É preciso referir que a ilha não pode passar de "MAL AMADA" a "DESALMADA" uma vez que a sua alma será a presença das pessoas, de forma ordenada.

EM 06 DE OUTUBRO DE 1994 DIZIA - "QUE TIPO DE TURISMO PODEMOS PRETENDER"




Não têm sido poucas as opiniões emitidas acerca do tipo de turismo que nos interessa. Não posso deixar de estar de acordo com aqueles que, talvez um pouco pretenciosamente neste momento, exigem que se dê guarida apenas ao que apelidam de turismo de qualidade, na medida em que essa seria a situação ideal se para tal se houvesse trabalhado. Porém, não é essa a nossa realidade e sobre ela talvez seja útil reflectir.

Como podemos exigir qualidade aos que nos visitam se não temos qualidade naquilo que oferecemos? Tudo tem um princípio e a qualidade que se pretende tem exigências a que nos compete corresponder e não me parece que tenha sido feito o que minimamente será exigível.

Comecemos por contemplar o aspecto da limpeza da nossa cidade e só temos razões para nos envergonharmos; atente-se na desordem que reina no trânsito local, no aspecto dos locais destinados ao estacionamento de viaturas, na lixeira que se contempla do passeio de Avenida do Mar, no aspecto de abarracamento das esplanadas da mesma avenida e na sujidade que grassa nos passeios onde estão instaladas. O conjunto de floreiras que ali se colocaram, certamente com o fim de dignificar o local, e a que ninguém ligou mais importância, foram arredadas para onde mais conviu aos utilizadores do espaço, restando a quem as lá pôs uma sua retirada envergonhada para não continuarem a fazer má figura. Circule-se ao longo das marginais norte e sul e verifiquem-se as várias situações de abandono e conspurcação que se encontram.

Solucionar o que se acaba de referir, apenas a título de exemplo, não será uma obra importante, que dê nas vistas e encha o peito a quem falar nelas como acontece com a pretendida marina oceânica, mas é elementar que se comece por limpar e arrumar a casa, antes de se pretender receber as tais desejadas visitas.

A solução das várias situações referidas competirá, fundamentalmente, à autarquia, mas é necessário que a população em geral, os nossos industriais de hotelaria em especial e todos os implicados no fenómeno do turismo, não esqueçam a importância da sua contribuição para que se atinja o objectivo pretendido, esquecendo, um pouco, o lucro fácil e imediato, em benefício do futuro e da qualidade com que se sonha.

Será, portanto, necessário que se comece, quanto antes, o trabalho persistente de pôr ordem nas coisas e nas mentalidades. Quando se pressentir que existe o esforço de quem deve para se atingir o objectivo, também as mentalidades farão a sua evolução. Se assim não for restará a força da razão para tal.

Fala-se no clima desfavorável que temos, como se de uma fatalidade inultrapassável se tratasse e até fosse o principal motivo da falta de êxito do nosso turismo. Não partilhamos, em absoluto, deste ponto de vista. Afigura-se-nos que isso apenas obrigará a que se tenha um redobrado cuidado com os outros aspectos, para que o mercado funcione e seja ele a ir dando os indicadores do partido que é possível retirar de tudo o que de belo possuímos.

Não podemos continuar a dar tudo de mão beijada a todos os que nos procuram apenas em determinadas épocas do ano, sempre em detrimento de quem cá vive e que paga os custos da sustentação do que cá existe. Será necessário que esses custos também sejam suportados por quem usufrui do que é nosso. Por outras palavras, a gradual melhoria das condições que forem sendo oferecidas deve ser acompanhada da comparticipação realista dos respectivos utentes.

Concluamos, portanto, que em matéria de turismo poderemos ter as nossas pretensões, como objectivo a atingir tão rápido quanto possível, mas comecemos pelo princípio e procure-se demonstrar que somos capazes de realizar o fundamental antes de se pretender atingir o óptimo.





UMA NOTA EM 21 DE DEZEMBRO DE 2007 - (13 ANOS APÓS)

Embora alguma melhoria se tenha verificado, muito do que se apontava como negativo continua a persistir, o que nos leva a pensar que estamos para o resto do país, como o país está para o resto da Europa. Isto é, não convergimos e estamos em divergência.







EM 01 DE SETEMBRO DE 1994 DIZIA - "Baleal, que é do seu sossego poético?"











Ao passarmos os olhos pelas apreciações e escritos que acerca deste local, outrora paradisíaco, foram produzidas por gente ilustre, a começar por Irmão António que em 1746 ali instalou um eremitério, concerteza embevecido pelo ambiente que as belezas do sítio proporcionavam; passando por Raul Brandão, que o descreveu como "a mias linda praia da terra portuguesa", também porque nele terá tido a oportunidade de gozar momentos de prazer, meditando nas suas belezas naturais e desfrutando do seu sossego; tal como, posteriormente, Raul Proença terá dito que " como estação de verão não tem rival em toda a Península" e ainda o nosso Mariano Calado no seu livro PENICHE NA HISTÓRIA E NA LENDA, que os penicheiros adoptaram como a sua bíblia, refere " Na realidade a amenidade do clima, o soberbo panorama envolvente, a transparência e frescura das águas, a brancura das areias da praia e o SOSSEGO POÉTICO do local, emprestam ao Baleal características que raras praias possuem", ficamos com matéria para meditar acerca do que pensam dele os que, neste momento, têm a obrigação de o preservar.

Na verdade parece que esta peça importante do nosso património histórico e turístico está entregue ao sabor dos devaneios de toda a gente, Têm sido praticados os maiores atentados tendentes a acabar de uma vez por todas com aquilo que, como refiro no começo deste escrito, foi motivo de elogio e apreço fundamentado.
Ainda antes da construção da estrada de acesso feita sobre o enrocamento de segurança das areias da praia, já alguns residentes faziam nascer as mais aberrantes construções, porventura na sua grande maioria clandestinas, em aproveitamento de todos os pequenos espaços tendentes apenas à satisfação dos seus interesses imediatos, pondo de parte todo o sentimento de harmonia que um local como aquele deve ter e desprezando o interesse colectivo.
Após a instalação da "auto-estrada" começou a época do salve-se quem puder, todos têm o direito de usar as maravilhas do progresso e, portanto, o carrinho à porta é uma comodidade que ninguém dispensa e por acréscimo, claro, também os convidados de cada um usufruem desse direito e todos os que chegam em visita o fazem comodamente instalados nas suas viaturas, por vezes mais interessados em mostrar o carrinho ou ocupar mais uns minutos do fim de semana, do que apreciar o que de belo podiam desfrutar através de um salutar e descansado passeio a pé. É assim que, como assinalável índice de progresso, já contei 183 viaturas estacionadas na denominada ilha.
Atentos e procurando dar satisfação a todo este tipo de desenvolvimento, logo os serviços competentes se preocuparam em dar condições de estadia a quem ali demandasse, criando o circuito que melhor facilitasse a circulação rodoviária, organizando um parque de estacionamento na zona norte da ilha, ainda que para isso tivessem sacrificado uma zona de rochas milenárias, entre as quais crescia a vegetação natural do local e que constituíam elementos embelezadores da zona, parque, por ora, ensaibrado e portanto levantando nuvens de pó, mas que se está mesmo a ver ainda será um dia asfaltado, tal como todos os arruamentos locais, substituindo a calçada à portuguesa que já existiu, se para tal derem liberdade de acção ao bom gosto que por ali tem passado.
Quem escreve estas linhas nunca teve com o Baleal uma relação para além de admiração das coisas belas, daquelas que, como outras, existentes na nossa terra, não podem ser usadas e danificadas, ainda que para prazer e enriquecimento de uns tantos, é por isso que mantenho a esperança de que os próprios utentes e interessados na ilha, em reflexão profunda acerca dos prejuízos irreparáveis que a qualidade de vida daquele lugar já sofreu, se venham a unir exigindo a reposição do passado, ainda que, para isso, tenham que abdicar das comodidades que lhes foram trazidas em nome de um progresso balofo.
Certamente que não se pretenderá voltar à época do burro com lençol branco a cobrir a albarda para passar a senhora para o outro lado, mas dava jeito devolver ao local a tranquilidade de outros tempos. Certamente que não se contestará, a maneira de o fazer é que reclamará o engenho e boa vontade de todos os interessados.
Fiz parte da Assembleia Municipal que perdeu oito horas a discutir o regulamento do trânsito na ilha, que constatamos nunca haver funcionado. A minha opinião foi sempre a de que não deveria ali existir trânsito, no sentido formal do termo, mas, porque já haviam construído a via de acesso, poderia permitir-se a sua utilização, apenas para descarga de pessoas e mercadorias, até uma rotunda que deveria ter sido construída no seu terminus, do lado da ilha. As viaturas não estacionavam naquela rotunda e regressariam ao local oposto. Certamente que esta situação pressupõe a existência de um parque devidamente organizado, controlado e vigiado, onde os residentes da ilha teriam o seu lugar assegurado.
Ainda mais uma reflexão acerca das praias do Baleal que, como todas as outras de Peniche, apenas são limpas no começo da época balnear. Dado o clima particularmente ameno que se faz sentir na nossa região nas épocas de primavera e outono, em que algumas destas praias são utilizadas durante os fins de semana, afigura-se-nos que as mesmas deviam ser cuidadas ao longo de todo o ano. Evitava-se, assim, que o lixo fosse ficando enterrado em várias camadas, que a limpeza única não atinge e que mais tarde o uso da praia acaba por trazer à superfície.
Enfim senhores residentes, senhores comerciantes ali instalados e senhores responsáveis autárquicos, não deixem matar a galinha dos ovos de ouro.


MAIS UMA NOTA EM 17 DE DEZEMBRO DE 2007. -

Hoje a nossa edilidade já fixou uns cartazes a recomendar a circulação apeada dos visitantes. O estacionamento de viaturas na ilha, em dias de verão, ocupa o espaço livre das ruas. A circulação de viaturas é permanente, sem que as ruas estejam preparadas para tal. Desta forma o sossego já foi e o desgaste que toda esta turbulência provoca no ambiente vai neutralizando muita da beleza de outrora. Cabe-me reconhecer e elogiar o cuidado que tem havido na manutenção das praias.

EM 21 DE JULHO DE 1994 DIZIA - "RESTITUIR A FORTALEZA AO POVO DE PENICHE"









Desde sempre a minha geração foi habituada a olhar o Forte de Peniche como coisa sinistra, da qual não convinha que alguém se aproximasse, por conveniência de quem dele se apossou para fins que em nada dignificaram, nem a terra nem a população a que pertence.

Certamente que em épocas mais recuadas e por força da missão militar que cumpriu, também a entrada não seria franca para a grande maioria da população.

Poderemos assim afirmar, sem grande risco de desmentido, que o monumento que possuímos nunca foi plenamente utilizado ao serviço do povo local em actividades lúdicas, culturais ou formativas. Reconhece-se o valor do trabalho que tem sido desenvolvido pelo museu que, em boa hora, ali foi instalado, mas esta acção e muitas outras que também devem ser implementadas ficarão neutralizadas se não for feito o esforço necessário para criar hábitos de utilização daquele maravilhoso local. Por isso tem sido defendido pelo signatário, felizmente acompanhado por muitas outras pessoas, de que é necessário e urgente que se permita o acesso franco e se concretize um plano de ordenamento e ocupação de todos os espaços existentes, que conduza a que cada visitante tenha o seu pretexto para a visita e uso do local.

Quando mais modernamente alguns pretenderam voltar a usurpar o que nos pertence, para satisfação de interesses que não eram fundamentalmente os da população de Peniche, houve uma tomada de posição por parte da Assembleia Municipal de então, que conduziu à elaboração de um relatório indicador das actividades julgadas de interesse para instalação no forte e que foi entregue sob a forma de recomendação ao executivo da Câmara Municipal.

Estávamos em 1985 e pretendia-se o aparecimento urgente do plano global de utilização. Constatamos, porém, que infelizmente tal ainda não se verificou e que não houve, até hoje, qualquer evolução no sentido pretendido, dando-se corpo a uma ideia que, estou certo, terá o acolhimento favorável de toda a população.

Estamos a correr o risco de poder vir a ser dado ao nosso forte qualquer destino que não seja o pretendido ou, o que será muito pouco recomendável, se comecem a instalar de forma anárquica as mais variadas actividades, constituindo compromissos que venham inviabilizar o melhor aproveitamento dos espaços e o necessário enquadramento no regulamento geral, que estará inerente ao plano global que se pretende.

Estão decorridos dez anos desde a data em que a decisão foi tomada e que por motivos que só Deus e alguns homens saberão nada se concretizou, apelamos para que não se deixe passar outra década para que tal aconteça.


UMA NOTA MAIS EM 12/12/2007.

Em 94 lamentava que se tivesse deixado passar uma década sem nada se ter resolvido. O panorama de hoje poucas alterações trouxe. Continuamos, isso é que é a verdade, a correr o risco de intromissões indesejadas como a que, há bem pouco tempo, nos chegou. A nossa fortaleza deve ser, urgentemente, RESTITUÍDA AO POVO DE PENICHE.

EM 07 DE JULHO DE 1994 DIZIA - O JARDIM



A integração do fosso do Baluarte no jardim público através de abertura que, para o efeito, seria efectuada na muralha que os separa, é ideia de longa data e que, a meu ver, se impunha concretizar.

Em boa verdade quantas terras gostariam de poder integrar no seu jardim um plano de água como aquele que pode estar à nossa disposição. Certamente a situação degradada do local em questão tem impedido que se pensasse na situação com efectividade, mas porque se aproxima a hora de ficar definitivamente sanado o problema do esgoto que contribuía para tal degradação, é oportuno agarrar definitivamente a ideia, daí que me atrevo a adiantar mais uma sugestão.

Imagine-se que em local próximo da traseira do coreto do nosso jardim era aberta uma passagem, cujo arranjo poderia ser igual ao da actual Ponte Velha, que ao longo da muralha, assente no lagedo que neste momento está enterrado no lodo, se construía uma passarela cais, como que a constituir uma varanda sobranceira ao plano de água já referido. Esta passarela daria a oportunidade de se fazer a ligação entre o jardim principal e o da cascata, abrindo-se, para o efeito, mais uma passagem na muralha e no topo norte da citada passarela. E também no topo sul ficaria bem que se estabelecesse idêntica passagem, que permitiria a utilização da tal varanda como local de passeio, com saídas fáceis e evitando-se criar zonas sem vigilância eficiente.

Para realização desta passagem a sul é imperioso demolir o muro de suporte de terras que estrangula a Rua 13 de Infantaria em frente das instalações da Caixa Agrícola, dado que esta demolição em nada afectava a integridade da verdadeira muralha, permitindo o desafogo daquela zona até ao portão de acesso à capitania do porto, aproveitando-se para nessa área , e em situação subterrânea, se construir um sanitário público compatível com a nossa era, que permitisse desafectar a muralha existente, do que está mais do que ultrapassado em eficiência e inestético.

Integrar-se-ia nesta obra a construção de uma passagem para peões, sob a forma de uma ponte em arco, que ligasse a abertura central da muralha à outra margem do fosso. Resultariam daqui várias utilidades, tais como, um ornamento do local, cuja iluminação reflectida na água seria um motivo de embelezamento, um local de acesso seguro para quem utiliza o terminal rodoviário ou trabalha naquela zona, evitando-se a utilização comum de peões e viaturas na Ponte Velha, mas ainda e muito especialmente seria criado um acesso fácil desde a zona central da nossa cidade até ao parque de estacionamento que, certamente, irá ser organizado em aproveitamento da zona degradada que lhe fica no seguimento.

Não sei se para concretização de uma ideia deste tipo será preciso mover montanhas e tremendas oposições, sabemos que, por hábito, se rejeita tudo o que não tem determinada origem, mas não fora a vontade e o querer do então Presidente da Câmara, Snr. António da Conceição Bento, ainda presente na memória dos penicheiros, não dispúnhamos da Avenida do Mar e Largo do município, porque continuaríamos espartilhados pela muralha ali existente.

Nada me move contra a existência da muralha, que considero um monumento que nos compete preservar, aliás, a obra que aqui se propõe vem evidenciar a existência de muralha como monumento e a coexistência das duas situações é perfeitamente possível, partamos do princípio que o respeito que devemos ao importante monumento não pode condicionar a melhor utilização dos espaços.

MAIS UMA NOTA EM 08 DE DEZEMBRO DE 2007 - ( treze anos depois)

A Ponte Velha continua a ser um ponto de conflito entre peões e viaturas, vamos ver se os anos vão continuar a passar sem um acidente grave naquele local. O acesso facilitado entre parque de estacionamento e o coração da cidade, onde o estacionamento é um flagelo, não existe. A integração do plano de água, que constitui o fosso, no jardim público, não se fez.
A concretização do projecto de arranjo do fosso da muralha talvez se venha a concretizar nos próximos 13 anos. Enfim, vamos todos tendo paciência de esperar, que um dia há-de ser.

EM 19 DE MAIO DE 1994 DIZIA - O PASSEIO


Desde sempre as populações criaram os seus locais de convívio onde os seus membros ocupavam os momentos de lazer. Quer os adros das igrejas, quer os jardins públicos, quando existentes, constituíram ao longo de muito tempo, dos locais de maior importância para uma vivência mais estreita entre os povos.

Modernamente, com o incremento turístico que se tem verificado, os autarcas que se preocupam com o bem estar de quem visita as suas regiões, ou com o interesse de fomentar o desenvolvimento dos negócios instalados e ainda com a qualidade de vida, têm criado zonas de passeio público, as denominadas ruas sem trânsito, onde as pessoas circulam longe dos perigos, dos ruídos e da poluição do trânsito urbano.

Assistimos ao longo dos últimos anos ao aparecimento destes espaços em todas as localidades que pretendem afirmar-se como dignas do interesse dos ambicionados visitantes. A nossa terra permanece alheia ao fenómeno, talvez por incúria de quem deveria ter a iniciativa, talvez por medo de fantasmas que ainda nem sequer apareceram ou, quem sabe, com falta de coragem de enfrentar as críticas e oposições, que todos sabemos que aparecerão mas que não podem ser impeditivas do nosso progresso.

Porque é urgente que se mexa no assunto e defendendo o princípio da crítica colaborante, aqui fica o meu contributo, que espero possa ter algum aproveitamento ou, pelo menos, sirva de base ao aparecimento do mais que justificado espaço.

Procurando transmitir a ideia de forma escrita como vou fazer, é necessário que o leitor conheça os locais a que aludirei e para tal usarei os nomes pelos quais são vulgarmente conhecidos.

Vamos, portanto, imaginar que a placa existente na Praça Jacob Rodrigues Pereira (frente ao jardim) se ligava ao largo do hospital velho, o lancil que a limita acompanhava a curvatura da rua e, portanto, deixava de haver trânsito no citado largo. Ao espaço constituído pela actual Praça Jacob Rodrigues Pereira, pelo largo do hospital velho, pelo largo do BPA e por parte de Rua José Estêvão até à residencial Vasco da Gama (casa do Possidónio), juntar-se-ia a Rua Tenente Valadim (junto à Câmara). No local onde termina a Rua Tenente Valadim (junto à Câmara) o passeio estreita e constitui um estrangulador do movimento que desemboca rumo à Ribeira, seria alargado de modo a acompanhar a largura da rua, sacrificando-se o local de estacionamento privativo das viaturas da Câmara e não só. Quem está neste local verifica que, em posição frontal, se encontra o passeio que conduz à Ribeira, local que constitui o grande atractivo de quem passeia ao longo da artéria que poderá ser a varanda de Peniche, a Avenida do Mar, apenas se terá que alargar o passeio para o dobro, porque o tímido alargamento que recentemente lhe foi feito, logo foi neutralizado com os bonitos candeeiros com que a dotaram. Fica, portanto, a ideia de que quem circulasse em toda a área que se preconiza sem trânsito poderia continuar o seu passeio até à área da Ribeira e Porto de Recreio por um espaço suficientemente alargado não tendo, portanto, como hoje acontece, de estar a descer à faixa de rodagem, quando se cruzam dois grupos de passeantes.

E o trânsito, como é que vai ser? E o estacionamento como será? Certamente que a boa vontade e o engenho trarão a solução necessária. No que respeita ao trânsito, aquele que se fazia no sentido ascendente da Rua José Estêvão pelos largos do hospital velho e BPA, passaria para a Rua 13 de Infantaria, Largo do Município, Rua dos Mareantes e Rua José Estêvão, o que desce a Rua Marquês de Pombal seria conduzido por um corredor que, com a devida sinalização de trânsito condicionado, passaria ao longo da placa da Praça Jacob Rodrigues Pereira e seguiria para a Rua dos Remédios, podendo e devendo alargar-se o passeio fronteiro aos estabelecimentos comerciais da praça.

No que toca ao estacionamento, que se pretende esteja ao alcance fácil de quem utilize a área, fica para ser tratado em próxima oportunidade conjuntamente com outra sugestão.

E por hoje é tudo ficando a promessa de voltar em breve.

UM COMENTÁRIO DE HOJE DIA 04/12/2007.

Continuamos sem um espaço reservado aos peões, ou pior, a tímida tentativa feita para o largo do hospital teve o fim que se vê. A anarquia que ali se verifica piorou a situação relativamente à anterior. O sinal de trânsito colocado à entrada do largo é desrespeitado constantemente, muitas vezes nas barbas da polícia. Já que não há um rei que ponha cobro a isto, que venha, ao menos, um roque que ponha mão nisto.

Quanto ao passeio da Avenida do Mar do lado onde as pessoas passeiam, continua na mesma e, curiosamente, a Câmara de então resolveu alargar o do lado contrário, Boa aposta!!!!

Será que os nossos autarcas ainda não visitaram os milhares de cidades e vilas com arruamentos sem trânsito. Um dia será e até lá viva o regabofe.

EM 7 DE ABRIL DE 1994 DIZIA "SALVEMOS A PRAIA DE PENICHE DE CIMA DEVOLVENDO-LHE A POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PISCATÓRIA E TURÍSTICA"




Há alguns anos que se assiste ao desaparecimento da denominada Praia da Camboa, estando o seu areal a ser arrastado pelo mar. É vulgar verificarmos o aparecimento de uma zona de pedra rolada que há muitos anos estava oculta pelo areal que ali se acumulava.
Neste momento qualquer maré sobe o areal cobrindo-o na sua extensão total e, não fora o enrocamento protector que ali foi colocado em situação de emergência, já havíamos assistido à invasão da via da acesso a Peniche, pela água do mar. Muitos de nós nos recordamos da antiga rampa de lançamento do salva-vidas,hoje solário privado para algumas ninfas que de vez em quando ocupam o que dela resta, que desapareceu por acção destruidora do mar, após lhe ter faltado a protecção da areia que desapareceu.
Na zona de acesso à praia, pelo lado do farolim, está a verificar-se um ataque constante à base da duna, que aos poucos vai sendo transportada dali e em breve poderá vir a causar motivo de grande preocupação, dado que colocará em risco a manutenção daquela protecção natural, que em boa hora foi consolidada e protegida.
Estamos, portanto, em hora de pensar as causas, de procurar soluções e, se necessário, apresentar as justificações da urgente necessidade de intervenção das entidades que têm o dever de o fazer.
Pela nossa parte vamos procurar deixar um contributo que, se não tiver outro mérito, provoque o despertar da atenção das cabeças que podem e devem pensar estes assuntos, solucionando enquanto é tempo a situação que já se apresenta com alguma gravidade.
É no cumprimento do que acaba de ser referido que chamo a atenção para a possível causa do acontecido e que, a nosso ver, se prende com o desaparecimento dos canos de esgoto das fábricas do Fialho e Exportadora, que exerciam as funções de esporões retentores dos movimentos das areias e amortecedores da acção da corrente do mar no sentido longitudinal da praia.
Tendo como certa, portanto, a necessidade de voltar a repor um elemento substituto, é urgente que se construa um esporão, sensivelmente onde existiu o esgoto do Fialho, para que voltemos a ter a praia com os níveis de areia que já possuiu.
Esta solução, que a muitos poderá parecer um obstáculo colocado no meio da praia, teria a virtude de definir as áreas de actuação como praia de veraneio e como praia para o exercício de actividade piscatória de pequenas embarcações.. Utilizar-se-ia o acesso do farolim para a área de veraneio enquanto no espaço restante seriam criadas condições para desenvolver uma actividade de inegável interesse turístico e económico, para cuja concretização se contará com a colaboração interessada dos actuais utilizadores e de todos os outros que, certamente, virão a aparecer.
Estando, entretanto, para breve a transferência dos estaleiros navais daquele local, mais viável se torna a revitalização daquela praia com a actividade que já teve e, como evocação da existência das artes de construção naval e fabrico de conservas naquele lugar, permitam que seja sugerida a instalação do "MUSEU DA CONSERVA E DA CONSTRUÇÃO NAVAL" num aproveitamento do armazém, que começa a estar em ruína e que complementaria uma área museológica que já deveria ter tido início com a utilização do antigo edifício dos Socorros a Náufragos, para guarda das preciosas relíquias que foram transferidas para outros locais ou que apodrecem paulatinamente sob o olhar de quem lhes deve todo o respeito.
Porque estamos a procurar sensibilizar vontades para a preservação daquela zona, e porque nos consta que irá desaparecer o edifício de uma das mais características fábricas de conservas, a fábrica da Exportadora, considero oportuno sugerir que se procure manter o casario do lado da praia com a traça que sempre teve, indistintamente das utilizações futuras, para que possamos evitar mais um motivo descaracterizador das zonas antigas e importantes da nossa cidade.
Aqui fica mais um motivo de reflexão para quem de direito, lembrando que a preparação para receber o potencial aumento de utilizadores da nossa zona que vier a ser provocado pela facilidade de acesso que proporcionará o IP-6, deve ser feita com a necessária antecipação.
UM COMENTÁRIO DE HOJE DIA 01/12/2007.
Passaram quase treze anos, o problema mantem-se, mais agravado, se pensarmos que o esporão que lá foi feito não produz o efeito desejado por não estar ligado a terra e ser facilmente circundado pelo mar. Esta referência já foi feita a todas as entidades responsáveis ao longo destes anos e todas parecem dormir descansadas sobre o assunto. Até quando?

A seguir reproduz-se a acta de uma acção provocada pelo aparecimento do escrito anterior.
Veja-se que os técnicos recomendam a construção de um pontão, não de uma ilha no meio da praia.
DEBATE/MESA REDONDA NO POLO DE PENICHE DA ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA E GESTÃO - INSTITUTO POLITÉCNICO DE LEIRIA.
Iniciativa do Polo de Peniche da E.S.T.G. - Instituto Politécnico de Leiria, com o apoio da C.M.Peniche, realizou-se no passado dia seis de Janeiro um debate/mesa redonda subordinado ao tema "Modos de evitar a remoção progressiva de areis pelo mar, na praia de Peniche de Cima e deposição na praia do Baleal".
Foram oradores o Prof. Alvarinho Dias da Universidade do Algarve; Engº Laia Fernandes da Direcção Regional do Ambiente e Recursos Naturais; João Augusto Barradas, presidente da Câmara Municipal de Peniche e João Avelar que apresentou o problema à abordagem técnica, numa perpectiva do observador atento e preocupado.
O assunto em debate foi introduzido através da apresentação de diapositivos, mostrando aspectos de antes e depois dos efeitos da erosão que se verifica na área.
Foram referidos outros processos semelhantes que se verificam em toda a costa portuguesa tendo, ambos os convidados, concordado de que comparativamente o problema em debate não apresenta grande gravidade. No entanto, a rebentação do mar contra a muralha, danificando-a; o risco de destruição do edifício do I.S.N. e a cada vez maior probabilidade do mar chegar ao principal acesso a Peniche, confere a este processo uma importância grande para todos os Penicheiros.
Entre a opção de não contrariar a natureza e a de se construir obra de engenharia pare evitar a erosão das areias pelo mar, foi estabelecida uma discussão, onde se aceitou a possibilidade de construção de um pequeno pontão sobre o que resta da protecção do esgoto da fábrica de conservas "Fialho".
Considerou-se que obras de pequena dimensão naquele local, não terão consequências noutras áreas da costa e poderão contribuir para a resolução provisória do problema, podendo fornecer posteriormente, pistas de actuação mais fundamentadas. É opinião dos técnicos que após a construção da ligação à ilha do Baleal, a movimentação de areias forma uma unidade independente naquela baía, aceitando-se, por este facto, a construção do pontão referido, sem a realização de um estudo prévio aprofundado.
As opções a adoptar para resolução do problema exigem um estudo, cuja realização não se prevê a curto prazo, pelo que é razoável pensar numa solução, ainda que com alguns riscos no sucesso das suas consequências, tenha probabilidade, a baixo custo, de contribuir para uma maior deposição de areias.
Nota importante é o facto de se ter considerado que medidas para proporcionar o aumento de deposição de areias nas dunas, cada vez menores, é uma acção urgente e de importância fundamental.
MAIS UMA NOTA ACTUAL EM 01/12/2007.
As fotografias (Carlos Tiago) que precedem estes textos demontram o agravamento da situação.
Hoje o mar rebenta directamente sobre a muralha da Fuzelha e sobre as dunas em plena praia. O que será preciso para que se saia da letargia de 13 anos?

Dizia em 03 de Março de 1994 - A MARINA DE TODAS AS CORES




Nesta nossa terra tudo perece processar-se à força da evidência, perante a beleza e as condições naturais com que a mãe natureza a dotou. Está nesta linha o desenvolvimento piscatório, que atingiu expressão muito razoável enquanto os recursos locais foram abundantes e as condições naturais de exploração do nosso porto permitiram resultados fáceis. Agora que a continuidade desse progresso exige o esforço e a aplicação de todos os interessados, vimo-nos com um mar de lamurias, recriminações e apelos para que os problemas que nos afligem caiam resolvidos do céu.

Nesta mesma linha podemos enquadrar o que se vai passando com o turismo, que está enveredando pelos mesmos princípios, perfeitamente ao sabor do que naturalmente aparece e enveredando-se por caminhos, provavelmente errados, cujos efeitos só mais tarde saltarão à vista, quando se reconhecer já ser tarde.

O que acaba de ser referido poderá, em situação mais específica, ser aplicado ao desejado aparecimento de uma marina oceânica no nosso concelho, desejo que ainda não passou disso e para cuja concretização não foi organizado o necessário debate de ideias.

Acabamos de sair de uma campanha eleitoral em cuja propaganda todas as forças políticas arvoraram a bandeira da marina oceânica, motivo porque me ocorreu titular este artigo de MARINA DE TODAS AS CORES, porém, é meu pressentimento que a desejada marina poderá não passar do efeito bandeira. Não andarei muito longe da verdade se afirmar que muitos dos que a agitaram nem sequer alguma vez ousaram pensar no assunto e as ideias para concretizar as suas afirmações serão muito poucas.

Mas porque é desejável que o assunto seja agitado no melhor sentido e para que não se corra o risco de ser aceite como ponto de partida um projecto que foi em tempos apresentado, transportando para a nossa terra uma ideia pré-fabricada para aplicação no local onde lhe for dada a primeira guarida, venho ter a ousadia de afirmar que não se me afigura ser o local de implantação, então pretendido, aquele que melhor servirá os interesses locais. Na verdade não se compreende com facilidade que, num concelho de área tão reduzida como é o nosso, em que as possibilidades de construção para utilidade turística convém, no mínimo, preservar, se esteja a pensar fazer com que o mar penetre mais pela terra dentro, inviabilizando a continuidade de utilização e melhor aproveitamento das potencialidades da praia do molhe leste e seus terrenos anexos, quando em todo o lado, sempre que possível, a tendência será conquistar espaço ao oceano.

Tendo como ponto de partida o princípio que antes referi e porque entendo que uma infraestrutura deste tipo deverá ser integrada, o mais possível, na parte urbana da nossa cidade, para que não se criem guetos para previligiados, cuja ligação à nossa urbe não desejarão, e antes se enriqueça e complemente o que de belo possuímos e que até agora desaproveitamos de forma infame, sugiro que se olhe atentamente para o Porto da Areia Sul, que se imagine aquele fosso, agora imundo, convertido numa estrutura de aproveitamento turístico, usufruindo da instalação de uma marina conquistada ao oceano, com enrocamentos de protecção que saíssem da ponta do porto da areia e do ponto de encontro da fortaleza com o molhe oeste.

Com esta situação seria possível dar beleza ao local, integrar a fortaleza, a prainha de S. Pedro, os cortiçais e até abrir-se caminho para a reconversão do bairro do Alto da Vela.

Logo que a fortaleza fosse o jardim que todos gostaríamos, certamente, que se concretizasse, muito beneficiaria com a visão daquele plano de água ocupado pela marina que nele deveria existir e teria mais um motivo para lhe garantir a ocupação desejada. É esta a minha contribuição empenhada para solução deste desejo, necessariamente a precisar de boas críticas que a complementem, espera-se que outras apareçam com o mesmo sentido e que a todas seja dada a oportunidade de, pelo menos, ser apreciada, não ficando o assunto confinado á opinião técnica e às vezes interesseira de quem pouco tem a ver com os nossos interesses.

UMA NOTA DE HOJE - 21 de Novembro de 2007.

Passaram 13 anos desde então, a marina desejada continua reduzida a um incipiente porto de recreio que não dá satiafação ao movimento de embarcações de passagem na zona e não convida
a que muitos outras por cá passem. O nosso porto está localizado a meio da costa portuguesa e em local estratégico para ser preferido pela grande maioria, precisamos de alguma ousadia.

Dizia em 16 de Dezembro de 1993 "CLUBE NAVAL...PARA QUE ÁGUAS VAIS NAVEGAR?!..."



Um dia sonha-se que a nossa terra é como as outras, que também ela tem o direito de possuir motivos de orgulho, que os seus jovens filhos podem ser felizes e desfrutar da maravilhosa atracção que é o mar.

Um grupo de sonhadores procura levar por diante e devota algo de seu e do seu tempo de lazer na tentativa de a corporizar, escolhe o clube que maiores potencialidades demonstra.

Apresenta-se, por isso, numa abandonada segunda tentativa de reunião de Assembleia Geral onde o velho Clube Naval de Peniche lutava pela sobrevivência, abandonado por aqueles que dele se servem, sem rumo que o levasse a bom porto e procura dar-lho.

No punhado de ideias que detinha estava, fundamentalmente, o seu engrandecimento, o potenciar a sua natural missão de proporcionar a prática de desportos náuticos e criar as condições necessárias para isso.

Era preciso que o Clube Naval de Peniche demonstrasse à cidade a que pertence que ali estava pronto a desempenhar o seu papel, que em troca disso pretendia o seu respeito e todas as ajudas de que naturalmente carecia.

Teve por isso que romper com o imobilismo de alguns que o pretendiam como coutada de satisfação dos seus interesses pessoais e tomou o norte do interesse geral, do serviço à sua cidade e à sua juventude.

Mas a sua ousadia não deixou de molestar a mente dos "Velhos do Restelo" que viram os seus interesses ofendidos e, em encapotada conjura a que não faltou a figura do "Miguel de Vasconcelos", tomaram nas mãos o destino do velho clube.

Esperou, com alguma esperança e alguma atenção, que os seus novos dirigentes o colocassem no caminho do desenvolvimento, prosseguindo na conquista do lugar a que tem direito e para o qual estava o caminho desbravado.

Cedo começou, porém, a concluir que os tais "Velhos do Restelo, quiçá Amigos de Peniche", apenas pretenderam defender os tais interesses julgados ameaçados, que o seu destino passa para plano secundário, que atingido o objectivo de arredar do caminho o tal grupo de sonhadores, a sua missão está cumprida e portanto é altura dos primeiros ratos começarem a abandonar o navio, antes que se venha a consumar o naufrágio.

É, por isso, chegada a altura de alguém não permitir que o CLUBE NAVAL DE PENICHE volte a esbracejar à vista de terra, com os tais "Amigos de Peniche" a verem-no, que tenha a coragem de, uma vez por todas, lhe voltar a dar o rumo que merece e tem direito.

Para isso se apela aos jovens da nossa terra, é altura de serem eles a tomar de vez as rédeas do seu clube, demonstrando com a sua habitual dedicação e altroismo como é possível que a nossa Terra sonhe e possua aquilo de que muitas outras se orgulham.

Espera-se também que o poder instalado, nas suas variadas componentes, conclua do valor que tem a existência de um CLUBE NAVAL forte e organizado e proporcione a quem vier, com seriedade, tomar-lhe o leme, as ajudas que, sem favor, são devidas e necessárias.

Portanto não percas as esperanças meu velho Clube, a tua força vai prevalecer, acredita na divisa que em boa hora escolheste.

BOM VENTO E ALA ARRIBA

NOTA NESTA DATA 18 de Novembro de 2007. -

O nosso Clube Naval de Peniche ainda não saíu da estagnação em que caiu após a saída do tal grupo de sonhadores. Será maldição? É altura de alguém por côbro a esta situação, a nossa terra merece e justifica um clube com dinamismo.

Dizia em 18 de Novembro de 1993 "Quando a Hipocrisia salta a cortiça"

Como introdução e explicação do título que atribuí a este meu escrito e para que com ele se conheça o que sentirão alguns daqueles leitores deste jornal que ainda têm na dignidade e na coerência de princípios o referencial que os norteia, quero começar por esclarecer que "saltar a cortiça" é um termo que os pescadores usam para referir que algo está a extravasar os limites, no ponto de vista deles a sardinha que capturaram e, no do leitor a HIPOCRISIA.


Passemos portanto, com a serenidade que nos for possível, a analisar o "APONTAMENTO SOBRE UMA REALIDADE LITORAL JUSTIFICATIVA DE UMA OPERAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO COSTEIRO INTEGRADO", recentemente publicado no jornal A Voz do Mar.


Certamente que ninguém ousará contestar muitas das realidades apontadas e até aplaudir as soluções que são sugeridas para alguns dos problemas que urge resolver, mas permita-se-nos também analizar as causas, a oportunidade e quem as aponta.


Quem vive nesta terra aos anos suficientes para ter presenciado o que foi o comportamento de algumas das entidades e pessoas que sempre quiseram ter a pretensão de mandar e orientar os destinos da pesca, certamente compreenderá com mais clareza a razão de ser deste escrito, certo de que a memória dos homens não será assim tão curta como a querem fazer um punhado de oportunistas, que sempre tiveram a habilidade de saber instalar-se na crista da onda.


Disse-se:
"Todavia nem tudo corre pelo melhor, e são já bem visíveis os efeitos da crise no sector", esta uma conclusão a que parece chegar-se e logo se aponta como causa do facto "o resultado final de receitas manifestamente insuficiente para garantir a sobrevivência das empresas, e rendimentos para os pescadores que se situam neste trágico ano de 1993 bem abaixo do salário mínimo instituído em Portugal".


Se bem se recordam aqueles tais que por cá vivem aos tais anos, já em 1975 assim era e já nessa altura se sabia o resultado a que conduzia a política de sobrecarga salarial a que obrigaram os armadores da pesca da sardinha, não creio que os elementos de análise de sobrevivência económica de uma empresa tivessem mudado, mas o autor do apontamento, que se comenta, é fortemente implicado nas medidas que na altura foram tomadas no sector e portanto muito responsável pelo estado a que a pesca do cerco chegou e que agora tanta aflição causa.


E continua:
"Já a potencial reanimação da pesca do cerco se apresenta como mais problemática, mais morosa e mais exigente de imaginação e de meios financeiros, não sendo por outro lado exequível, sem uma redução muito significativa de mão de obra envolvida".


Pois claro, que quanto mais tardias são as medidas mais morosas e exigentes têm que ser. Resta saber se aos meios que agora se pretendem para solução da situação, não será dado o mesmo fim a que se destinaram tantas centenas de milhares de contos de que beneficiaram as cooperativas de pesca a que o autor do artigo presidiu, das quais nada beneficiou o pescador. Este, em nome do qual se continua a apregoar a necssária reestruturação, mas para quem se começa por, agora realisticamente, apontar o caminho do desemprego, avisando-se, desde já, que "è este o panorama da região de Peniche, que é idêntico ao de outras regiões onde se pratica a pesca de cerco e, repetimos com veemência, ou se actua de imediato e com muita determinação, ou não tardará a derrocada de todo o sector com todo o seu cortejo de infortúnios e convulsões sociais".


Claro que na devida altura tanto o já citado articulista como o seu sempre associado Sindicato dos Pescadores terão a oportunidade de vir à rua apontar como causadores das desgraças os agentes do costume.


E, pensamos nós agora, ao constatarmos que afinal até existem, como sempre existiram, meios para viabilizar uma actividade fundamental para a nossa terra, o que terá impedido de, em devido tempo, se terem tomado as medidas agora proclamadas? Será que está para passar algum comboio onde se pretende embarcar?


De uma coisa podem estar certos os pescadores que porventuram vierem a cair no desemprego, é que, como refere o articulista, "as actividades de recreio e desporto virão dar uma mãozinha na solução dos seus problemas"......


Mais vale tarde do que nunca e procure-se na realidade, sem demagogias baratas e sem oportunismos fáceis, olhar de uma vez por todas para as reais necessidades da nossa terra e dos nossos conterrâneos, pescadores ou não.


Como nota final deixaria a sugestão de se procurarem recolher trabalhos anteriormente realizados, nomeadamente os que se produziram na Convenção das Pescas, quando da realização das Feiras do Mar, e ficarei muito satisfeiro se os penicheiros forem capazes de dar as mãos para solução de um problema que é de todos nós.


UMA NOTA DE HOJE - 18 Novembro de 2007.

O que acima se reproduz foi, como certamente se compreende, uma reacção a um apontamento publicado na "Voz do Mar" por uma figura altamente implicada no que foi a evolução das pescas desde 1975.

Passaram catorze anos e o panorama das pescas é o que constatamos. Não foram capaz ou não quizeram encontrar a solução para uma actividade primordial para a nossa terra. O certo é que pescadores, em nome de quem tantas sereias cantaram, quase não existem. Será impossível encontrar a solução para o assunto? Ou teremos de andar, no futuro, de bandeja na mão a servir os turistas que nos queiram visitar? Espero que se olhe, definitivamente, para a minha terra.

O PORQUÊ DESTA PÁGINA






Esta página foi ditada pelo interesse que sempre tive pelas coisas da minha terra.
Aqui vou reeditar o que tenho escrito sobre vários aspectos através do jornal "A Voz do Mar" , considerando que valerá a pena sujeitá-lo a nova apreciação.
Tudo o que aqui vier a ser afirmado será no que julgo ser o interesse de Peniche e nunca contra pessoas.

PRAZER SILENCIOSO!

O anoitecer da nossa ilha são momentos de prazer silencioso!

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